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O
Espetáculo Vai Começar
Reprodução
de artigo publicado no Jornal Vértice - Informativo do CREA/MG
Ano 5 no. 63 - Nov/Dez de
2001
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Toca a campainha. Abrem-se, as
cortina. É hora do artista entrar em cena para emocionar o público e
arrematar dias e noites de trabalho nos bastidores. "Minha profissão
viabiliza a conquista da emoção. O ser humano precisa desse mundo
fantástico para seu equilíbrio emocional. Criamos um estado de espírito
para a conseqüente resposta emocional do espectador", orgulha-se o
arquiteto cênico e cenógrafo Raul Belém Machado.
O público pode não saber, mas
quando aplaude um espetáculo também está consagrando toda uma equipe
que envolve arquitetos, engenheiros e técnicos de diversas áreas. As
funções vão desde a cenografia até a engenharia mecânica, passando
pela luminotécnica, a sonotécnica, e até mesmo o cálculo estrutural,
entre outras. Para Raul Belém. a ciência e a tecnologia vêm a serviço
das artes. "A relação com a. produção artística implica num uso
constante de energias carregadas de emoção", afirma. Mas a
engenharia civil,. Ivana Aguiar Ribeiro, o papel desses profissionais
inclui a imposição de limites. Ela prestou consultoria para a parte
elétrica do 1º Festival Mundial de Circo do Brasil, que aconteceu em
setembro deste ano, em Belo Horizonte. "Quando os organizadores
contratam um engenheiro, transferem responsabilidade. A partir daí, nós
temos o compromisso de dizer o que pode e o que não se pode fazer",
explica. Um ponto marcante das experiências em eventos artísticos,
segundo Ivana Aguiar, é a necessidade de grande agilidade. "A
rapidez nesse tipo de trabalho foge do padrão. O festival teve um prazo
de implementação curto e tínhamos o compromisso para manutenção dia e
noite", diz.
No mais reconhecido grupo de teatro
mineiro, o Galpão, o envolvimento dos profissionais da área técnica é
tanto que, muitas vezes, eles apresentam soluções que contribuem para a
criação artística. O ator Beto Franco conta que para a peça ''Um
MoIiére imaginário" o grupo havia pensado num tipo de palco muito
mais complicado do que o proposto pela equipe de estrutura metálica.
"Eles bolaram um palquinho que nos deu até opções de trucagem, com
soluções que ajudaram na elaboração do espetáculo", explica.
Beto Franco, que cursou até o 8º período de engenharia e acabou
abandonando o curso para se dedicar integralmente ao teatro, revela que o
grupo conta com um coordenador técnico formado em eletrônica e
estruturas. "Tem que haver um cara formado para pensar em questões
como o posicionamento do espetáculo para maior conforto do público e a
segurança", ressalta. Mas não é fácil encontrar arquitetos e
engenheiros especializados em atividades artísticas.
Na área de cenografia e
cenotécnica, por exemplo, não existem disciplinas nas escolas de
arquitetura, nem pós-graduação especializadas no tema, em Belo
Horizonte. "Esse conhecimento é passado de pai para filho, porque
também não tem bibliografia em língua portuguesa. Só agora há
possibilidade de tradução", afirma Raul Belém. O arquiteto é
consultor da Organização dos Estados Americanos (OEA) para cenotécnica
e tem trabalhado na organização, em português e espanhol, de temas e
técnicas da área.
O diretor do Grupo Giramundo,
Álvaro Apocalypse também acha que deveria haver uma maior aproximação
entre a arquitetura e as artes cênicas. Mas ele considera que, além da
criação de disciplinas específicas para teatros e espaços públicos
nas faculdades, é importante que haja urna mudança cultural entre os
empreendedores.
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